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Fabiano Ormaneze/Da Agência Anhangüera
O projeto Correio Escola, criado e mantido pela Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), e que neste ano completa 15 anos de existência, iniciou, ontem à tarde, as atividades do 2º semestre, com uma discussão sobre novas tecnologias na educação e a utilização dos recursos de informática, interatividade e tecnologia pelos professores de ensinos Fundamental e Médio. Para falar sobre o assunto, o convidado foi o professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), José Manuel Moran.
Durante sua palestra, ele, que é autor de mais de uma dezena de livros sobre educação e novas tecnologias, falou sobre a importância de o professor buscar novos conhecimentos nas áreas de informática e aproveitar a predisposição e o envolvimento entre alunos e professores para uma constante atualização. "A sala de aula deve ser uma espaço multidimensional, aberto para a pesquisa individual e coletiva" , disse. Moran enfatizou ainda que, quando os professores utilizam a informática e outras tecnologias interativas na sala de aula, geram possibilidades de aprendizagem, interação e divulgação dos trabalhos realizados pelos alunos.
Por meio dos sites de pesquisa e da interatividade possibilitada pelos hiperlinks, os alunos têm acesso a um número grande de informações e podem, inclusive, confrontar várias opiniões sobre um mesmo assunto. Com a ajuda de blogs, sites de relacionamento e chats, é possível encontrar especialistas, criar discussões entre alunos e professores e discutir temas de forma que extrapolem o ambiente escolar. "A internet dá a impressão de que as pessoas, mesmo distantes fisicamente, se sintam sentadas numa mesma mesa" , comentou Moran. Outra grande vantagem é que a internet, principalmente por meio dos blogs e sites de troca de vídeos, permitem que o aluno exiba seus trabalhos. "Todos gostam de mostrar o que produzem, isso faz com que se sintam estimulados a produzir cada vez mais" , explicou.
Linguagem Moran abordou também as modificações às quais o professor deve se ater em relação às mudanças de linguagem. Nos tempos em que a internet invadiu os lares e ocupa boa parte do tempo dos jovens, é comum que professores deparem com alunos que escrevem no jargão da internet ou com abreviações típicas da comunicação virtual. Nesse caso, Moran acredita que a correção deve ser feita de maneira gradual, sem deixar de valorizar o que o aluno têm de criativo. "A espontaneidade do estudante se perde quando a avaliação do professor fica centrada apenas na correção. Ao apontar demais os erros, acabamos por atrapalhar a auto-imagem do aluno" , enfatizou.
No caso de trabalhos com textos, o palestrante voltou a incentivar a publicação em blogs. "Como os textos permanecem na internet, com acesso livre a qualquer momento, os alunos podem, ao final do bimestre ou ano, avaliar seu próprio progresso e a maturidade que conquistaram com as aulas" .
Livro Boa parte dos tópicos trabalhos por Moran durante sua palestra estão no livro Novas Tecnologias e a Vida do Professor, que ele lançará em breve pela Editora Papirus. Além disso, opiniões dele podem ser conferidas no livro Jornal: Uma Abertura para a Educação, das professoras Cecília Pavani, Ângela Junquer e Elizena Cortez, responsáveis pelo projeto Correio Escola. Nesta obra, Moran contribui com informações sobre a utilização de novas mídias na educação. O professor também mantém um blog. O endereço é http://moran10.blogspot.com.
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