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Professor discute percurso histórico da imprensa
Fabiano Ormaneze/ Da Agência Anhangüera

Uma discussão em que se uniu a experiência na redação de jornais e a atividade científica aguçada na universidade. Assim foi o encontro da última segunda-feira do projeto Correio Escola , criado e mantido pela Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), que recebeu o jornalista e professor da PUC-Campinas, Luiz Roberto Saviani Rey. Ele falou aos professores participantes do projeto sobre a pós-modernidade e as transformações pelas quais os veículos jornalísticos impressos passaram nos últimos 40 anos.

O professor, que dá aulas há 25 anos e trabalhou em jornais como Correio Popular, Diário do Povo e Folha de S. Paulo , destacou que o jornalismo impresso não deixará de existir, apesar de inúmeras especulações e palpites que pregam o seu fim, em razão do crescimento da internet. Segundo ele, ocorrerá, assim como em outros momentos da história, uma mudança na forma como o noticiário se organiza. "O futuro do jornal impresso será a reportagem, com detalhamento e aprofundamento das questões noticiadas pela internet, apontando a anterioridade e a posteridade dos fatos, num texto que humaniza os dados" , afirmou. Saviani ressaltou ainda a importância do jornal como ferramenta para modificações sociais. "O jornal tem um poder fundamental. Às vezes, ele resolve questões que nem os próprios tribunais solucionam" .

História
Para reforçar a constante mudança a que a impressa passa, Saviani se reportou à história do jornalismo nas últimas quatro décadas, destacando o trabalho e o projeto de reformulação dos jornais impressos promovido pela norte-americana Ruth Clark, tema de sua dissertação de mestrado.

Trabalhando num instituto de verificação de circulação de periódicos, Ruth alertou, em fins da década de 60, que, caso os jornais não mudassem sua forma de apresentar os fatos, ele corria o risco de desaparecer, abafado pelo avanço da TV, pois os leitores, cansados de textos extensos e pouco atrativos visualmente, trocavam as letras pelas imagens coloridas da televisão. "O leitor não queria mais ler páginas e páginas sobre um assunto. Surgiu então a necessidade de criar um jornal de rápida absorção, para que o leitor pudesse discuti-lo em seu círculo social" , contou o professor.

Abandonar os textos grandes, aumentar as imagens e incluir infográficos e até a regionalização da informação foram alguns caminhos que os jornais e percorrer para que não desaparecessem. "Os jornais só sobreviveram porque deixaram de ser um veículo histórico e se tornaram um produto efêmero, com textos curtos e com muitas imagens".


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