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Atividade com o gênero jornalístico - Crônica
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Disciplinas integradas: Português, Geografia e Matemática
1. Definição de Crônica 2. Texto “Com o mundo nas mãos” Fernando Sabino 3. A crônica e a matemática 4. A importância das características espaciais, temporais nas crônicas e seu conteúdo político social. 5. Atividade –Crônica (5ª à 8ª série e Ensino Médio) Desenvolvimento da atividade a partir da crônica “Com o mundo nas mãos” 6. “A crônica de todo dia” – (Leitura em Ação – 12/5/2003). 7. Referências bibliográficas
Autoras: Ângela Junquer Elizena Cortez Márcia Coluccini Vera Moraes
CRÔNICA
“Não há necessariamente compromisso com temas da atualidade, como no caso dos artigos de opinião; o estilo é geralmente livre (literário) e isento de regras de estilo jornalístico; pode resultar numa coletânea de textos na forma de livro; geralmente é uma peça resultante do trabalho de criação do escritor; o tema é de livre escolha do autor, que assina sua produção”.
Jornal (in)formação e ação Cecília Pavani (Org) – Editora Papirus
Com o Mundo nas Mãos
Bernardo tem cinco anos, mas já sabe da existência do Japão. E aponta para o céu com o dedo: - É atrás daquele teto azul que fica o Japão? Tenho de explicar-lhe que aquilo é o céu, não é teto nenhum. (...) Na primeira oportunidade compro e trago para casa um mapa-múndi. (...) O menino não lhe deu muita importância, quando apontei nele o Japão e a Inglaterra, o Brasil, os países todos. Limitou-se a faze-lo girar doidamente, aos tapas, até que se desprendesse do suporte de metal. Consegui convence-lo a ir destruir outro brinquedo, o secador de cabelo da mãe por exemplo, que faz um ventinho engraçado – e assim que eu me vi só, tranquei-me no escritório para apreciar devidamente a minha nova aquisição. Com o mundo nas mãos, descobri coisas de espantar. Descobri que a Coréia é muito mais lá pra cima do que eu imaginava – uma espécie de penduricalho da China, ali mesmo no costado do Japão. (...) A Tasmânia não tem. Pelo menos não encontrei. (...) Duvido que alguém me diga onde fica Andorra. (...) Pois fica é logo aqui, encravada entre a França e a Espanha, um paisinho de nada, vê quem pode. Em compensação a Antártida é muito maior do que eu pensava. (...) E é bem no centro dela que eu tenho de soprar pára encher o mundo. De repente me vem uma idéia meio paranóide. De tanto apalpar o globo de plástico, ele acabou meio murcho, acho que o ar está se escapando. E quando me disponho a enchê-lo de novo, imagino que eu seja um ser imenso solto no espaço, botando a boca no mundo para enchê-lo com meu sopro. O nosso planeta é mesmo uma bolinha perdida no cosmo, e do tamanho desta que tenho nas mãos é que os astronautas devem te-lo visto da lua: uma linda esfera de manchas coloridas, com seus oceanos cheios de peixes e singrados por navios, as cidades agarradas aos continentes, ruas cheias de automóveis, casas cheias de gente, a ar riscado de aviões, de gaivotas e de urubus... Tudo isso pequenino, insignificante, microscópico, os homens se explorando mutuamente, se maltratando (...). Que aventura mais temerária a de Deus, escolhendo caprichosamente este lindo e insignificante planetinha para a ele enviar através dos espaços o seu Filho, feito homem, com a missão de redimir a nossa pobre humanidade. Faço votos que tenha valido a pena e que um dia ela se veja redimida. Até lá, este mundo não passará mesmo de uma bola como esta que meu filho Bernardo irrompendo alegremente no escritório me arrebata das mãos e sai chutando pela casa.
Fernando Sabino, “Deixa o Alfredo Falar”.
Matemática
Criar situações problemas: Por que o pai comprou um mapa-múndi para o filho? Estava em oferta? 20% de desconto? Fez pesquisa de perco?
Japão - Inglaterra – Brasil
Trabalhar com o jornal - Coluna do tempo , fuso horário no Brasil e no mundo – ( atividade trabalhada na 6 série do ensino Fundamental) Mostrar no mapa-múndi a localização dos fusos horários, Greenwich ) 0 graus e transferir para uma reta numérica.
___________-3___________0___________________7______
Atividades: 1) Brasília está no fuso –3 e Tóquio está no fuso +9. Se em Brasília são 9 horas, que horas são em Tóquio? 2) Lima está no fuso –5, portanto marca 5 horas a menos que em Greenwich. Assim, quando em Greenwich for 17 horas e 20 minutos, que horas será em Lima? Como a crônica fala sobre mapa-múndi, com algumas medidas aproximadas da Terra, trabalhar NOTAÇÃO CIENTÍFICA, na oitava série. Quando aparece “disponho a enchê-lo”, comparar o volume do globo com o volume da Terra, Quantidade de ar ( Física e Matemática). Na crônica aparece a China. O que está na mídia sobre a China? Comentar sobre a SARS, comparar o número de mortos com o número de infectados. Trabalhar Razão, Proporção, Probabilidades , Densidade demográfica, ... Pesquisar a distância real entre a França e a Espanha, medir no mapa e trabalhar ESCALA.
A importância das características espaciais, temporais nas crônicas e seu conteúdo político social.
Os aspectos espaciais, temporais e político sociais fornecem subsídios para a produção de um texto narrativo como a crônica. Os advérbios e adjuntos adverbiais indicam a temporalidade no texto e proporciona ao leitor situar-se no tempo, inserindo-o no ambiente espacial criado pelo autor. Analisando os diversos tipos de crônicas, o professor usará dos recursos mencionados acima para explorar a crônica como prática de atividade em sala de aula e provocar no aluno a vontade de descobrir as características relativas a este gênero literário. A atividade sugerida é um caminho facilitador para o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar, pois colabora para a aproximação de idéias entre os professores de diversas disciplinas. Este elo de aproximação se dá em torno da leitura das questões político sociais inerentes na produção escrita da mídia jornalística, pois estimula o pensamento crítico tão necessário ao aluno que quer se tornar um leitor assíduo e um bom produtor de texto.
Proposta de atividade sobre crônica (5ª à 8ª série e Ensino Médio)
“Com o mundo nas mãos” Fernando Sabino
1-Por que o pai comprou um globo para o filho?
2-Que mudança aconteceu com o pai durante a narrativa?
3-Para marcar o tempo na narrativa, os autores utilizam vários recursos. Selecione os recursos temporais usados por Fernando Sabino
4-Suponha que na 1ª oportunidade o menino tenha praticado a última ação do texto: a) Que ação seria essa? b) Imagine que a bola saiu de Brasília e foi para a ilha da Tasmânia. Quantas horas levou para chegar, sabendo-se que o chute foi dado às 14 horas? c) Na sua opinião, o pai deixou de vivenciar algumas situações temporais? Quais?
5-Humor e ironia são características da crônica. Localize-as na crônica lida. Crônica: Autor: Data: Jornal:
1-Na sua crônica existem fatos semelhantes a esse? Justifique.
2-Nas crônicas surgem acontecimentos que ganham novas dimensões para o narrador. Nesta, o narrador fez alguma reflexão? Destaque
3-Faça a mesma atividade proposta no item 3
4-Localize as ações temporais na sua crônica. a) Houve alguma mudança de ação? b) Crie uma situação problema envolvendo alguns fatos temporais. c) Repense a sua situação problema e conclua quais foram as situações temporais que não foram incluídas na sua proposta.
5-Faça a mesma atividade proposta no item 5 A Crônica de todo dia...
Questionada pelos meus alunos sobre o que é crônica, explico que são os fatos do cotidiano vistos sobre uma ótica diferente, com humor ou ironia e com uma clara marcação de tempo dos acontecimentos. Explico que todos nós podemos fazer crônicas, pois a nossa vida é repleta de fatos ou situações que dariam excelentes conteúdos para as mesmas, desde que nos dispuséssemos a relatá-los. Na escola por exemplo, quantas situações dariam inspiração para a produção de uma crônica: durante as aulas, no intervalo, brincadeiras com os colegas , na vida social e familiar, para não citar entre tantas outras ocasiões. Na minha escola todas as manhãs costumamos cantar o Hino Nacional antes de começar a primeira aula do dia. Os alunos posicionam-se numa atitude cívica, estufam o peito e cantam. Aqueles que ainda não decoraram a letra, tentam cantar simulando com os lábios, receosos de serem percebidos por todos que participam deste matutino ritual. Não deixo de observar também alguns alunos irrequietos, que não conseguem se concentrar e insistem em fazer gracinhas para chamar a atenção dos colegas, desafiando a ordem ali estabelecida. Esta situação me reporta àquela vivida pelos alunos do “Ateneu”, livro representativo da nossa literatura, escrito por Raul Pompéia, onde os limites na educação eram bem claros, o que infelizmente não ocorre hoje em dia diante das constantes queixas e desabafos de educadores e pessoas que lidam com a formação dos jovens atualmente. Poderia desenvolver mais este acontecimento se não fosse apenas para exemplificar as oportunidades que temos para escrever. Já com um trabalho de leitura com um grupo de senhoras de terceira idade, que tiveram a oportunidade de ouvir palestras com os cronistas Zeza Amaral e Eustáquio Gomes sobre crônicas e a motivação de escrever, ao ser pedido a elas que escrevessem sobre um fato marcante de suas vidas ou outro acontecimento significativo, sentiram-se inibidas em relatar tais acontecimentos, mas depois de explicado que o material da vida delas daria excelentes crônicas, como por exemplo o primeiro baile, o primeiro namorado ou um acontecimento importante vivido naquela época, dispuseram-se a escrever sem se importar com erros ou correções gramaticais. Essa preocupação hoje pode ser atenuada com qualquer corretor de texto, boa gramática ou um bom dicionário, mas o conteúdo resgatado, jamais seria relatado se elas não se entregassem a essa deliciosa tarefa de produzir um texto ou no caso, uma crônica. Se animaram tanto com o projeto que estão se propondo a fazer um livro de crônicas para ser publicado no final do ano. Se formos pesquisar veremos que a nossa literatura é pródiga de bons cronistas como Fernando Sabino, Rubem Braga, Moacyr Scliar, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cecília Meireles entre outros. Já as crônicas jornalísticas, aquelas que nos fazem pensar nos acontecimentos contemporâneos de uma forma que torna a leitura do jornal mais leve e descontraída, são encontradas nos principais jornais de grande circulação no país. Alguns exemplos como “A emocionante história de um quase naufrágio” de Carlos Heitor Cony (Folha de São Paulo-25/4/03) sobre o naufrágio ocorrido em Cabo Frio; “O Rio de Janeiro já virou uma Argentina” de Arnaldo Jabor (Correio Popular-29/4/03), que fala sobre a situação caótica da violência da cidade do Rio de Janeiro; ou também a crônica de Roberto Affonso Marino ”Pra lá de Bagdá” (Correio Popular-26/4/03) que nos dá uma outra visão sobre a guerra EUA e Iraque. Luís Fernando Veríssimo publicou uma crônica no Correio Popular (1/5/2003) intitulada ”Nasce uma crônica”, que pode resumir bem todas essas idéias. Segundo ele, qualquer coisa pode originar uma crônica, desde um assunto em evidência até uma frase que sugere uma história, ou um cheiro no ar, ou um incidente banal... Mas para fazer crônica temos também que ter um “olhar especial” sobre o nosso dia à dia, começar a enxergar e estar aberto a pequenos acontecimentos que poderiam nos passar despercebidos, deixando assim que a sensibilidade transporte as idéias para o papel. Convido você, leitor, a escrever uma crônica. Viver e escrever são duas formas de aprendizado, que se complementam. Tematizar fatos e pessoas que nos cercam é um grande exercício de lucidez e empatia com nós mesmos, pois resgatamos desta forma segmentos de nossa própria existência. As pessoas hoje já não escrevem mais, a internet está reduzindo o nosso vocabulário, as cartas hoje são coisas do passado, superadas atualmente pelos e-mails. Vamos resgatar esse hábito tão prazerosos de antes e nos sentir mais vivos e integrados com o mundo! Fica aqui o convite.
Ângela Cristina Loureiro Junquer Monitora Projeto Correio Escola
Referências Bibliográficas:
Jornal (IN)formação e Ação- Cecília Pavani (Org)-Editora Papirus Paradidático: “Projeto Pitanguá” Português 4 - Ensino Fundamental -Editora Moderna Estudando as Paisagens- A Ciência Geográfica em Ação- Osvaldo Piffer - IBEP Para que serve a Matemática “Números Negativos” - Imenes, Lellis e Jakubo - Editora Moderna Jornal Correio Popular – 12/5/2003 Revista Veja – 7/5/2003
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